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Sê benvind@! Este é um blogue pessoal em que exponho algumas de minhas palavras, excerto dos meus livros e de alguns poetas da lusofonia, vídeos e fotos para todos apaixonados, e não só, pela poesia. Um blogue de leitura agradável, Boa leitura!

domingo, 29 de outubro de 2017

A CARTA

São cento e quarenta e dois quilómetros quadrados (142km²), a dimensão geográfica da ilha onde eu me encontro. Tem por nome de Príncipe. Um príncipe pequeno com coração igual ou superior a muitos outros por este mundo fora.

De várias tentativas pensadas, esta é a forma que encontrei para escrever esta missiva.
Disseste bem, o manuscrito não é o meu forte.
Nem sempre acerto no objectivo inicial, transcrever o que penso no momento exato. Espero, desta vez, acertar nas palavras.


Do teu lado eu vivi os melhores momentos que um homem pudesse viver.
Tu não foste apenas a mulher por quem eu me apaixonei, és a mulher que me deu a vida. Normalmente a segunda oportunidade é dada pelo pai divino, mas tu me concedeste a segunda chance quando já tudo estava perdido e estendeste a mão mais poderosa alguma vez vista na Terra.

Nunca um adeus foi tão duro para mim como aquele que pensaste ter sido.
O caudal do rio é maior quando a maré está cheia e menor quando está vazia, mas o rio e o mar estão sempre conectados. Assim somos nós, nas nossas brigas podemos diminuir a intenção do entendimento mas não nos separamos.
O guarda fato ficou vazio, assim como falta algumas fotos tua no nosso álbum... Tenho-as aqui comigo, não podia deixar as melhores lembranças para trás. Como também tenho-te aqui comigo no meu coração. O meu físico viajou a procura de algo diferente, uma descoberta. Pois aprendi que nessa vida nunca se diz: adeus. Tudo é temporário. Enquanto houver vida, será sempre um: até já!

Diariamente sou envolvido pela brisa e o verde da natureza . Eu estou apaixonado, mulher! Eu me sinto vivo de novo! Posso assim dizer que estou vivo. Quero-te aqui comigo para vivermos esta paixão pela vida vivida nesta obra prima feita e abençoada pela mão divina.
O povo aqui tem muito pouco, mas o que eu recebi quando aqui cheguei e ainda recebo é pouco para quem tem muito e muito para quem vem de onde havia pouco.
Um sorriso angelical e verdadeiro de uma criança inocente e/ou uma gargalhada rasgada de orelha à orelha de um pescador, beijos e abraços vezes sem conta da dona "Tina". Por momentos, defini o termo família sem a inclusão de sangue. "A maior e melhor riqueza desta vida está no Ser!" Eu vejo neste lugar o verdadeiro sentido desta frase.


Lembras-te da poetisa Manuela Margarido, que havia falado tempos atrás?, pois eu me encontro na Roça Olímpia, o lugar do seu nascimento. Vim me alimentar um pouco mais da sua história! Muita riqueza por explorar neste pedaço de terra!

Uma prenda de bom dia e um "matabicho" (pequeno almoço) com umas frutas tropicais tiradas, no momento, das árvores são as pequenas/grandes coisas que dão um novo sentido a uma vida monótona. E ainda por cima, esta natureza... A ilha é a reserva mundial da Biosfera pela UNESCO.
Ao nível cultural, adorei ver como eles vivem às suas culturas com grande intensidade. Um exemplo é a Auto de Floripes, originário de Portugal e a "Dêxa", uma dança típica da ilha.


Fiquei estagnado no momento que a brisa do vento soprou mais forte e tudo andou. Pensei que o sedentarismo era o próximo passo para avançar na vida contigo, minha parceira. Estava enganado, mulher. O Primogénito tinha um propósito na Terra:" mostrar o caminho da salvação aos pecadores". Para isso Ele tinha que conquistar às diversas comunidades e países. Não irei fazer o que Ele fez, muito menos chegarei lá perto. Mas eu quero viver a vida que Ele me concedeu. Lamento ter dado a entender que já não te amava, erro da expressão. Eu não amava a mim mesmo no tipo da escrita dramática em que vivia.

Eu pensei em regressar e, pessoalmente, convidar-te a apanhar o avião comigo.


Da nossa casa víamos o avião passar toda a hora. A partir de um determinado momento, apercebi-me que ali estava a via para a minha solução. Foi então que num dos dias em que estava no café, o qual reclamaste da minha atitude e com razão, ouvi da outra mesa um grupo de pessoas que falavam de suas férias. Chamou-me mais atenção quando um deles falou do Príncipe e as aventuras lá vividas. Deixei-o terminar o seu relato. Com os outros riram às gargalhadas. Vi a felicidade no rosto deles e senti inveja de toda essa felicidade por que viviam.

Pois então, interrompi as suas conversas e pedi que me falassem desse lugar que tem nome de realeza.
Um relato apaixonante foi-me feito. Do ter o mínimo para ser grandemente feliz! Da simplicidade que os fazem de verdadeiros príncipes. Identifiquei-me o suficiente por aqueles relatos que senti o clima tropical e a água morna daquelas praias a molhar-me os pés... Em outras vidas, penso que nasci num país como este.

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