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Sê benvind@! Este é um blogue pessoal em que exponho algumas de minhas palavras, excerto dos meus livros e de alguns poetas da lusofonia, vídeos e fotos para todos apaixonados, e não só, pela poesia. Um blogue de leitura agradável, Boa leitura!

domingo, 13 de novembro de 2016

A RELAÇÃO

Foi sério o adeus que vi na porta do nosso quarto?
Triste foi encontrar vazio o nosso guarda fato, quando buscava por uma camisa tua.
No início foi como o dia de hoje, de tantas lágrimas verteu-se em chuva que agora cai do céu.
Mas ficou, e por isso agradeço, a coisa mais engraçada do que o teu último sorriso.
Olho para ela e percebo que o que sentíamos um pelo outro adormeceu sem saber se viria a ressuscitar um dia. Mas fingíamos estar tudo bem, embora dormias de costas sem dar-me um beijo de boa noite.
O teu primeiro café era num bar qualquer na companhia dos teus amigos e quando chega a noite o teu comer esfriava na mesa por longas horas.

Percebo que os meus sorrisos eram pelas brincadeiras do cachorrinho "Kiko" enquanto rebolava pelo sofá da sala, quando era ainda um bebézinho. 
Talvez poderíamos ter resolvido esta nossa situação a muito tempo. 
Não permitíamos a sua continuidade até o dia de hoje e as lágrimas não perdurariam por muito tempo.
Arranjaste um cachorrinho, coisa mais linda! Na altura não percebi. Agora sei que querias colmatar a tua ausência. 
Sabias que não queria ter nenhum animal. Mas, o que não se faz por amor?
Foste tão convincente que não consegui dizer não. 
Trouxeste-o como prenda do meu aniversário em uma caixa escrita “para a mulher da minha vida”. E um bilhete no colar do cachorrinho que dizia: “o meu latir será o teu raio de sol". 
A contradição nos bilhetes fez-me pensar: o que é exposto nem sempre corresponde com o que está no seu interior. 
Já não eras tu o meu raio de sol quando chove.
Era um adeus, eu senti. Mas o que poderia fazer se assim tu querias?
Estragaste uma relação por pensares somente em ti. Viajaste porque achaste que a tua vida sedentária não era algo que almejavas. Não querias ser um "contentado"! 
Não soubeste me explicar as razões e em casa era só discussão. Tarde chegavas e quando amanhecia já não te via. 
Hoje estás distante. Muito distante e a geografia é o meu ponto fraco. No mapa não sei onde situa o país, mas soube pela tua irmã que estás ali na terra verde onde a aventura é algo do dia a dia.
No pensamento sinto-te perto. Mesmo chateada, não te esqueço.

Castanho de pintas brancas, parecia um peluche mais fofo que alguma vez vi e à primeira vista me apaixonei por Kiko. O cachorrinho que trouxe de volta o meu sorriso. 
Só temos a primavera uma vez por ano. Após a chegada dele, os dias de outono e inverno deixaram de existir, pois o meu sorriso é anual.
Dizer que não sinto a tua falta, estaria a faltar a verdade para comigo mesma. A minha cama ainda está vazia e os cabides no guarda fato estão nus e só desejam as tuas roupas para se vestirem.
Os anos passaram e arranjei uma companheira para o Kiko, a qual dei o nome de Bebel. 
Hoje saímos à rua e fomos os três passear numa tarde de chuva, após receber e ler a tua missiva. Um manuscrito de seis folhas. Sabia que não gostavas de manuscritos. Lembro-me de termos dado gargalhadas no passado quando transcrevestes à mão uma declaração... Enfim! 
Fiquei surpresa por receber esta tua missiva. Agradecida também por tocares em alguns pontos da nossa relação e clareando as ideias erradas que deixastes em mim.
Estou feliz por saber que estás feliz e por teres descoberto o teu objectivo de vida!
Disseste que o teu regresso está próximo e nós vamos estar a tua espera!
O distanciar não é sinonimo de separar. Um dia havemos de encontrar e daremos vida a algo que adormeceu.


By Ludger de Carvalho



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