Tenho saudades, sim.
Saudades de olhar pela janela e ver uma multidão de pessoas a passear, jogar a bola, de ver os centros comerciais e os restaurantes com muitos clientes que até questionava se elas não gostavam de suas casas, seus lares.
As praias e os jardins preenchidas de pessoas formando um coro de uma canção que não percebo a letra.
Saudades de, nos transportes públicos, sentir o multiculturalismo e do nada ouvir uma gargalhada de alguém que não tem receio em expor a sua felicidade.
Saudade de estar zangado e de "brigar" com quem não respeita a minha privacidade.
Ironia do destino, agora tenho a minha privacidade no espaço mais seguro de momento, a minha casa, sem o stress dos "desconhecidos". Mesmo assim, sinto falta.
Casamentos, baptismos, aniversários, namoros, missas, desportos,...tudo que se resume à aglomeração de pessoas estão proibidos de se realizarem.
O ser humano tem como princípio a socialização. Tocar, sentir, respirar, dialogar "face to face", abraçar, beijar... são necessidades criadas ao longo dos séculos e ver-nos limitados da nossa rotina, mesmo que temporário, é um golpe duro de aceitar por alguns.
Tudo é passageiro e depois da tempestade, há de vir a bonança. Eu acredito.
Depois de um esforço colectivo, vamos poder regar o arco-íris da multiculturalidade social.
Depois do inverno, teremos uma primavera mais colorida como nunca antes vista.
Vamos perder os ente queridos, mas cabe-nos a nós para que o número não seja tão extensa e no amanhã, no "último adeus", possamos dar a despedida que ele/a mereça.
Hoje, o TER já não está a ser sobrevalorizado. O SER/ESTAR é o que vigora e graças a Deus tudo tem um lado positivo.
A riqueza material não o/a coloca imune.
Alguns já conhecem o gosto dos filhos, sabem às horas que eles vão para cama e, muitas vezes são eles/as quem os põem na cama. Estarmos o tempo suficiente com as pessoas que sempre foram o nosso alicerce é um privilégio. As que estão distante, tenham fé e cuidem-se que a nossa reunião será o mais breve possível!
Esta maldade colocou os pontos nos is e a fragilidade humana foi colocada na praça pública.
Hoje, mais do que nunca tenho a certeza de tudo ser passageiro. A certeza de a vida ser um assopro e para cair, basta estar de pé.
Vamos respeitar uns aos outros e cuidarmos dos nossos para que possamos aproveitar as suas companhias por mais algum tempo de suas/nossas vidas!
#FiquemEmCasa
#ReadaptemosÀRealidade
#AllAgainstCovid-19
#JeVosLove❤️
Ludger Carvalho