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Sê benvind@! Este é um blogue pessoal em que exponho algumas de minhas palavras, excerto dos meus livros e de alguns poetas da lusofonia, vídeos e fotos para todos apaixonados, e não só, pela poesia. Um blogue de leitura agradável, Boa leitura!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O Teu Presente

Debaixo de uma árvore improvisada
Guardei um presente p’ra ti
Deixei o que pediste

Não tive coragem para ficar
Queria ver-te a abrir
Mas tive que partir

Distante vou estar a torcer,
A ver e a viver
A tua alegria, que só tu…
Somente tu sabes expressar

Debaixo do teu cobertor improvisado
Eu deixei um presente
À meia-noite vais abrir

Tu que, por aqui e acolá,
Improvisas a tua casa
Eis aqui o teu presente.

Bem gostaria de estar aí
E partilhar esta felicidade.

Na cabeceira de tua cama branca
Deixei um presente
Para quando acordares
Poderes abrir

Bem queria ficar e ver
Os teus olhos molhados
Choro de felicidades

Vou torcer para ver-te
Andar por próprios pés, e
Sair por aquela porta.

Mas…
Eu tive que partir
Para distante, estar mais próximo de vocês.


By LC%

A Família

Estamos todos juntos hoje,
Quem me dera que, hoje, fosse sempre.
O nascimento de Jesus Cristo
A união da família.

Que venha o champanhe
Numa mesa, a comida
A vossa companhia

Façamos um brinde
À saúde, à vida
À alegria que jamais acabará

Um brinde por ontem
Por hoje, e para o incerto,
Amanhã 

By LC%

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Meu amor

Meu amor de preto vestiu
O mundo conheceu.
Entre os coloridos do arco-íris,
Conheceu a Ísis.

Meu amor de preto vestiu,
O dia sucumbiu
E a noite escura envolveu o meu amor
A luz do dia o negou.

A sua verdade emergiu
Meu amor, apenas, vestiu de preto
O seu coração é vermelho
A cor da paixão que um dia sentiu

Como um livro aberto
Meu amor despiu-se
Diante da Lua, ajoelhou-se...
Meu amor vestiu de branco...

By LC%

domingo, 14 de dezembro de 2014

Eu menti

Não sei se peço desculpas, mas confesso
Quando dizia que não sentia amor por ti
E que o meu sentimento era pequeno.

Eu menti e admito
Que podia trazer de novo a primavera,
E sermos Adão e Eva.
O amor é primitivo

No entanto eu sinto
O vento soprar em sentidos opostos
O tempo levar o que plantei
O silêncio das ondas do mar

Uma mentira
Um pesadelo
Os teus beijos foram apenas ilusões.
Eu menti!

By LC%

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Há algo em mim

Há algo em mim... e não sabia!
Há algo em mim que não quer saber do teu passado,
De tuas histórias e dos teus desamores!

Há algo em mim que quer pegar na tua mão,
E viajar pelas estrelas
Em noites de luas cheias!

Há algo em mim que me faz viver para ver-te sorrir!
Como nas manhãs de primavera,
Quando o sol beija as flores.

Há algo em mim... só agora sei:
As estrelas não brilham sem noites!
Antes da vitória, existem obstáculos!

A beleza pura está no interior!
Como a rosa que nasce entre os espinhos.
Que tu és importante para mim!

By LC%

Inevitável

Os lugares são móveis,
As palavras são fixas entre si
Como duas bocas coladas no mar da paixão.

O querer ir mais longe,
E estar ao teu lado!
Questionar o inquestionável:
Os teus beijos!
Evitar o desejável:
Tocar o teu corpo!

Como fugir ao teu veneno,
Se apenas tu és o antídoto?

By LC%

O inverso

A luz do dia que não amanhece,
Aumenta o stress!
A água do rio que não corre,
A morte dos peixes!

Não consigo enxergar...
Será dia ou noite?
Estarei eu a dormir?
Serei um sonâmbulo?

O vento de outono que não se faz!
As folhas secas que não caem!
Árvores plantadas que pairam no ar!
As palavras que saem de uma boca fechada!
Estarei a contradizer algo que não se diz?

A boca beijada de uma mulher não apaixonada!
O coração que bate por um amor não correspondido!
Um amor que se vive de dia,
E a noite é esquecido!

By LC%

A viagem

Pensei em regressar,
Numa viagem instantânea.
Emigração espontânea!

De avião, regressar a base,
Ou de barco e demorar uma eternidade.

Pensei em ir, não sei para onde.
Apenas sair
Por aquela porta entreaberta.
Não sei o que me espera do lado de lá!
Apenas quero ir

O que me prende, eu não sei!
Estarei preso?

Os dias de primavera dizem adeus!
O inverno frio regressa,
E a porta está a fechar-se!

Na cadeira, sentado, vejo o tempo passar.
Na minha mente, conheço um novo lugar
Que me faz querer levantar,
Para respirar um novo ar!

By LC%

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Saudades avó Beliana

Estávamos no ano 2005 em São Tomé, era funcionário de recepção no Hotel Resort Ilhéu das Rolas. Tinha na altura 19 anos de idade e tudo estava no caminho projectado por mim e abençoado por Deus, pois tudo ia bem. Acima de profissionalmente estar bem, o melhor foi o meu estado espiritual quando fiquei a conhecer uma guerreira, uma lutadora incansável.
Apesar de sua deficiência visual, encarava todo e qualquer desafio que geralmente no olhar dos terceiros eram difíceis de realizar. Ainda hoje lembro o nosso primeiro encontro, já passaram muito tempo mas parece que foi ontem. Estava toda sorridente, bem humorada e mesmo sem poder lagrimar, chorava por dentro, choro de alegria e eu sem menor noção da realidade que passara e da situação em que encontrava, também chorava numa mistura de alegria e tristeza.
Enfim, habituei a realidade e fiz da zona de Boa Morte a minha segunda residência. Das vezes que fui visitá-la, ora estava a limpar a casa, ora estava a cozinhar, sempre a fazer alguma coisa, imagino se não fosse cega quem poderia consigo?

Minha querida avó, comigo vou guardar a imagem de uma senhora única no Mundo com diversas qualidades que até então não vejo igual. Dona de uma gargalhada contagiante, com o espírito de ajudar a qualquer um que precisasse.
Seu nome de registo infelizmente soube um dia antes de sua partida, juntamente com a Liudmila, outra neta, brincávamos ao lembrar das coisas que fizeste e nos mantinha sempre de bom humor . Serão estes momentos que ficarão para todo sempre na minha memória, pois sem saber do que viria a acontecer nos deixaste sem a oportunidade de despedir.
Seis meses após deixar este Mundo, comigo guardo as lembranças do nosso último encontro em Novembro de 2013, as conversas e aquela gargalhada de que tinha saudades, os seus abraços, a sua bênção e muito mais nesses poucos dias que estive consigo. Até parece que a minha viagem era predestinado para a sua despedida, seja como for, eu agradeço por ter me esperado minha avó. No meu coração tem um lugar para toda a minha vida.

As pessoas que estavam consigo guardam os seus ensinamentos, as suas palavras e as suas boas acções. Eu agradeço a oportunidade de sorrir consigo e juntos partilhamos muita coisa e espero ter apreendido tudo que me ensinou. Que a sua alma descanse em paz e proteja a sua família como sempre fez.

By LC%

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Parábolas de LC%

Eu questionei, aprendi
Eu viajei, conheci
Eu nadei, sobrevivi
Eu cantei, sorri
Eu lutei, venci
Eu busquei, consegui
Eu amo e sou feliz

Todos os acontecimentos tem uma razão!

Gato só é amigo do rato depois de estar de barriga cheia!

Só vences o mundo quando conseguires vencer os teus próprios obstáculos!

Desistir é duvidar das tuas próprias capacidades!

O bom e o mau são subjectivos, o resultado provém do esforço e trabalho!

Tira ilações dos acontecimentos vividos e não contados por terceiros!

Ignora-me hoje, amanhã terei todo o gosto em ti escutar!

As melhores pescas faz-se quando estás de bem contigo em primeiro lugar.

No mar só consegues bons peixes, quando estás de bem com a vida!

sábado, 5 de abril de 2014

Passado, Presente e Futuro

O percurso tomado pela minha vida.

Um futuro ameaçado.

As 17:45 do dia 14 de abril de 2013, à beira do rio Tejo sentado numa das pequenas pontes no seu estado um pouco degradado e ao meu lado tenho duas muletas que me acompanham durante o meu dia-a-dia desde os meus 10 anos de idade. Fui invadido pelo pensamento do passado.
De referir que completo 35 anos no próximo dia 21 do presente mês.
Passavam das 08:13 da manhã quando acordei, com minha esposa ao lado debaixo do cobertor ansiava por este dia. Estávamos em plena Primavera, um dia lindo em que o sol já brilhava lá fora e atravessava através das frestas da janela do meu quarto e dar um bom dia.

Que alegria poder ter uma vida, ter saúde, independentemente da deficiência física sou feliz.
É verdade, a minha deficiência resultou de uma pequena história que passo a contar a seguir:

"Tinha na altura 9 anos de idade, vivia em São Tomé e Príncipe, mas concretamente em São João dos Angolares. Num ceio familiar de muita felicidade, somos sete irmãos e os meus pais são Júlio Sousa e Marta Fonseca, casaram-se ainda jovens e fizeram a sua vida a dois, daí resultaram os sete filhos, sendo quatro rapazes e três raparigas. A minha mãe era dona de casa, enquanto ela cuidava dos seus amados filhos, o meu pai trabalhava indo todos dias ao mar, pois era pescador e o melhor da zona. Todas as noites, depois do jantar, eu ia buscar um pano e estendia no chão e sentávamos os nove em círculos, então vem a parte mais aguardada, o papai começa a contar as suas histórias vividas no mar com seus companheiros. Todos dias uma história e sempre uma melhor que a outra, desde a estratégia para pescar uma "agulha sombra" até as histórias de sereias.
Lembro de muitas vezes a minha mãe preparar o lanche nas madrugadas frias, minutos antes do meu pai ir para o mar e ela assim o dizia: "Que o nosso Senhor ti acompanhe meu querido, boa sorte!" Assim foi anos após anos.

Com as dificuldades que foi assolando a família e a necessidade de colocar mais comida na mesa, eles conversavam durante horas, dias e meses para arranjarem uma melhor solução para eles e para o futuro dos filhos.
Alguns anos depois, o papai decidiu aventurar e viajou para Gabão. O dia em que foi dos mais tristes para a minha família, pois aquela união, a presença de um pai fazia falta. Sabíamos que ele não nos abandonaria, e não o fez, mas no momento é como sentir a casa cair por falta de um "prumo". A minha mãe chorava, os filhos mesmo ao consolar ela, perguntavam: e agora quem vai nos contar as histórias do mar? Assim foi, mesmo com distância, todavia, colmatada com muitas missivas dele que recebíamos e falava de como superava os obstáculos todos os dias e que sentia muito a nossa falta. Mesmo nessa distância manteve a sua promessa de quando nos enviava as cartas iria escrever uma história que já não seria do mar mas sim de vida. Ainda hoje guardo algumas delas comigo e superei muitos desafios de vida graças as palavras do meu pai, pois hoje percebo que ele não só narrava histórias mas expunha certos acontecimentos de sua vida e nos dava conselhos de como vencer as dificuldades em que iremos encontrar no percurso da vida.
Bem, lá estávamos a superar a falta física do meu pai e fomos a uma roça que minha mãe comprou com dinheiro recebido do seu marido, decidimos avançar e fomos capinar o campo, plantar matabala, mandioca e banana. Esta roça situava a oito quilómetros de casa e tínhamos como vizinho um criador de gados, neste mesmo dia ninguém esperava que uma situação dessas viesse a acontecer.
Eu e mais dois irmãos estávamos a brincar na estrada de terras abatidas enquanto os outros irmãos e minha mãe estavam a plantar, já passavam das quatro horas da tarde e próximo de terminar o trabalho nesse dia e regressarmos, tal como o vizinho que tinha levado seus gados a pastar em arredores estava de regresso. Tudo estava a correr muito bem quando de repente os gados começaram a correr de uma forma incontrolável, mesmo que o dono de toda forma tentava controlar e com ajuda dos cães, não conseguia.
Os cães latiam intensamente e nós na estrada numa curva, ouvíamos e de repente quando preparávamos para sair da estrada, ao pedido da minha mãe, fomos surpreendido com a manada de bois, eram por ai 15 a 20 bois. Os meus irmãos, sendo eles mais velhos conseguiram sair a  tempo da estrada e eu tentava segui-los mas não consegui, fui apanhado pelos bois. Levei corneadas e fui atirado ao chão, ai tive a (in)felicidade de apenas os bois pisarem as minhas pernas. Sobrevivi a uma manada de boi com uma perna partida, ainda pergunto como foi possível sair de lá vivo, foi obra de Deus eu acredito. A minha mãe perdeu a voz de tanto gritar para me ajudarem e os meus irmãos choravam.

Devido as dificuldades em que se encontrava os hospitais do país em termos de operação fui obrigado a viajar para outro país, nesse caso Portugal, para o efeito. Com a contribuição do dono dos gados tornou mais fácil a viagem, embora ele não fosse o culpado do sucedido, contribuiu juntamente com minha mãe os custos da viagem para operar a perna esquerda.
Ficou-se a saber que os gados alteraram devido as picadelas das abelhas, havia ali próximo uma colmeia que por uma razão ou outra começou a atacar os bois.
O meu pai não acreditava no acontecido e de tudo fez para vir, mas não conseguiu.
Juntamente com a minha mãe vim para Portugal e fomos parar ao hospital de nome Santa Maria, em Lisboa, fui colocado numa maca no corredor do hospital e pude ver muitas situações iguais ou até piores que a minha...cuidaram do meu caso, mas ficamos a saber que durante muito anos irei depender de muletas para a minha locomoção.
Desenvolvi outras capacidades, habituei-me a mais duas pernas (rsrsrsrs)... e lutei para vencer como o meu pai dizia nas suas missivas.
Infelizmente nunca mais pude ver o meu pai, ele desapareceu juntamente com mais 50 passageiros que viajavam num barco de regresso a São Tomé e afundou, aconteceu 5 anos depois da minha operação mas as suas palavras ainda fazem eco na minha e na vida dos meus familiares.

Fiquei em Portugal depois da operação, conquistei o meu espaço e fiz diversas amizades, participei em alguns projectos de uma associação dos deficientes físicos e foi ai que conheci a minha esposa, namoramos e ainda a amo como no primeiro dia que a conheci. Hoje estamos casados e com uma linda menina de 2 anos de idade que é a razão do meu viver."

Já no final do dia, as 17:00 decidi ir dar uma caminhada pela avenida de Seixal a beira do rio Tejo, depois de uma caminhada de 20 minutos de minha casa, pude ver que a felicidade não é restrito a determinadas pessoas.
Nestes meus pequenos passos podia descrever as mil e uma vidas que por mim passaram, desde aos mais lindos olhares de felicidades dos que parecem ter ganho a lotaria até aos mais infelizes como a dos que perderam os seus ente queridos.
Lá estava eu a contemplar essa linda tarde de sol, nesse instante retornei ao presente e pode ver que a distância da ponte para a água é pequena ao ponto de tocar com a minha mão.
Deitei de barriga, aproximei-me o mais próximo da água, estava tão limpa que podia ver a minha imagem reflectida. Durante alguns minutos olhava para água com intuito de ver o mais fundo possível e de repente deparei com um passarinho a voar sobre a minha cabeça. Ao cantarolar pousou a uma distancia de 2 metros, mais coisa menos coisa, e comia pequenos restos de bolos que alguém deixou ali ficar. Ignorando a minha presença foi se saciando com o bolo até que, pelo mesmo caminho, apareceu outros tantos para o ajudar a comer. Bem podia dizer que foi um lanche dos passarinhos, e sem esquecer do coro musical que fui contemplado enquanto comiam.
Naquele instante oiço o barulho de buzina do carro, os meus "músicos" afugentaram-se , olho em frente e vejo grupo de pessoas correndo a minha direcção, numa mistura de vozes, oiço meu nome e por vezes também oiço a palavra tio. Eram eles, disse para mim, meus irmãos, minha mãe e sobrinhos. Junto a eles estavam as minhas queridas (esposa e filha). Peguei nas moletas e coloquei-me de pé, naquele instante olhei para a água e vi o sol reflectido no rio a sorrir para mim como se estivesse a dizer : vai esteja com teus familiares e seja um homem digno e feliz. No meu coração eu agradeci pela companhia daquele lindo sol, pois era como que houvesse um diálogo entre nós.
Virei costa aos maus pensamentos do passado, porque estava bem ai a minha frente a palavra que muitos como eu procuravam: FELICIDADE.
Coxeando sobre as duas muletas fui em direcção àquela multidão de pessoas e num abraço familiar e calorosa recordei das palavras do meu pai: "NO MAR, SÓ CONSEGUES BONS PEIXES QUANDO ESTÁS DE BEM COM A VIDA.

By LC%